Bugio
Alouatta spp.
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    No Paraná temos duas espécies de bugio, o Alouatta caraya que é encontrado no oeste do Estado, nesta espécie a fêmea apresenta uma coloração mais clara e o macho é marrom. O bugio (Alouatta fusca) encontrado mais ao leste do Paraná apresenta dimorfismo sexual, sendo o macho ruivo e a fêmea marrom.
    São animais sociais, vivendo em clãs no estrato superior das florestas. Um grupo pode apresentar de 4 a 30 indivíduos, dependendo da espécie. Há um maior número de fêmeas em relação aos machos na estrutura do grupo. Alguns pesquisadores atribuem este fato a mais alta mortalidade entre os machos, que realizam atividades mais arriscadas que as das fêmeas.
   Há uma tendência do grupo em passar a maior parte do dia nas copas das árvores, onde ocupam muito tempo com alimentação e se congregam para suas vocalizações, especialmente ao amanhecer e ao entardecer.
   Os bugios não ficam confinados às margens dos rios e distribuem-se em altitudes consideráveis nas regiões montanhosas. Passam de uma árvore para a outra, normalmente sem descer, nem mesmo para beber água. Para passar para o lado oposto de um rio, embora possam nadar, os bugios preferem se esticar de uma copa de árvore para a outra, ou se balançar em cipós ou plantas similares. Nesta proeza são auxiliados pela cauda preênsil.
   O território de cada grupo é restrito; mas quanto mais numeroso for um grupo maior será a área que ele ocupa. A área de uso pode ser limitada por grandes áreas desmatadas e por cursos d'água. O território pode ser dividido, em parte, com outros grupos sem distúrbios, mas ocorre, de tempos em tempos, uma mudança na área de uso, devido a mudanças sazonais no suprimento alimentar. Dentro do território, a conduta é baseada na relação com árvores para a alimentação e árvores usadas como "alojamento". A rivalidade entre os grupos que invadem o território é demonstrada por gritos e não por combate direto. Quando estão se deslocando de um ponto a outro do território, os machos lideram o grupo, seguidos pelas fêmeas que carregam os filhotes e, por último os jovens.
   Nas relações sociais dentro do grupo raramente são observadas tendências agressivas, comparando-se com outras espécies de primatas. A liderança do grupo é, normalmente, exercida pelos machos, mas quando a proporção de fêmeas aumenta elas podem dividi-la com o macho. Fêmeas, carregando filhotes podem, nestas ocasiões, liderar durante uma jornada. No geral a organização social é integrada a uma grande cooperação mútua, portanto, há um pequeno "espaço" para comportamentos anti-sociais. Mesmo que fêmeas, ocasionalmente, demonstrem hostilidade com seus filhotes, é usual, se os jovens caem, serem recolhidos, ou pelos seus parentes ou por outra fêmea, e a recuperação é auxiliada pelo macho do grupo. Batalhas vocais ocorrem entre 2 grupos quando estes se aproximam, mas raramente ocorrem as lutas; as emissões vocais são uma maneira de proclamar os limites territoriais. Machos do grupo cooperam na liderança do mesmo pela floresta.
   Alimentam-se nas copas superiores da floresta onde se acomodam e puxam os brotos com as mãos, firmando-se com a cauda preênsil quando lançam-se para frente. Seu alimento consiste quase que inteiramente das folhas das árvores que freqüentam, complementados, em certas épocas de ano, por frutos e sementes. A dieta é, entretanto, restrita, quando comparada a de outros primatas, e por essa razão são difíceis de se manter em cativeiro. Quando a alimentação é abundante, cerca de um quarto do dia é gasto nessa atividade.
   Sua voz pode ser ouvida na mata até a 2km de distância, é bastante forte parecendo-se com um "ronco de motor". Esse fato deve-se à presença do osso hióide muito desenvolvido.
 
Imagem obtida do site Fauna de Pelotas e Região
Karina Luiza Oliveira - Bióloga