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| Gralha-azul |
| Cyanocorax caeruleus (Vieillot, 1818)
- CORVIDAE. |
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| Foto: Carlos R. Fernandes. |
A gralha-azul é uma ave com ampla
distribuição geográfica, que ocorre principalmente
nas regiões de clima temperado. No Brasil, esta espécie distribui-se
desde o estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, chegando
ao leste do Paraguai e ao nordeste da Argentina.
De médio porte, medindo 39 cm de comprimento, possui
um aspecto robusto. O corpo tem coloração azul reluzente,
a cabeça, a garganta e o peito são negros, com as penas da
fronte arrepiadas. Seu olho é escuro. A coloração da
plumagem é semelhante tanto na fêmea como no macho. |
| Habitante de florestas, ocorre principalmente
nas áreas de Florestas com Araucárias, onde é comumente
encontrada. Diferente do que acredita a cultura popular, esta espécie
não é totalmente dependente das florestas com Araucária,
pois sua área de distribuição abrange também
os domínios da Floresta Atlântica. Devido a seus hábitos
e a sua beleza natural é muitas vezes mencionada em contos, lendas,
música e arte. |
| No estado do Paraná é oficialmente
reconhecida como ave símbolo, por meio da Lei Nº 7957 de novembro
de 1984. |
| Embora cientificamente não comprovado,
muitas pessoas acreditam que a gralha-azul "planta o pinhão"
(semente do pinheiro). Na verdade, esta ave é considerada um agente
dispersor em potencial destas sementes. Durante a atividade de alimentação
as gralhas transportam o pinhão de uma árvore para outra,
deixando muitas vezes cair a semente ao chão, a qual penetra no solo
devido ao impacto da queda, vindo a germinar posteriormente. |
| Sua dieta alimentar é baseada tanto
em fonte animal como vegetal, a qual varia desde insetos, pequenos animais
invertebrados como anfíbios, frutos e sementes. É comum o
ataque a ninhos de outras aves, com predação de ovos e filhotes. |
| Assim como outros corvídeos, a
Gralha tem o hábito de armazenar alimento, escondendo sementes em
plantas epífitas e fendas em troncos de árvores, que esquecidas
germinam nesses locais. |
| Depois dos papagaios, araras e periquitos,
as gralhas apresentam o maior índice de aprendizagem, refletindo
assim em seu complexo e sofisticado comportamento. Seu repertório
vocal, bastante variado, possui mais de 14 gritos diferentes. |
| De hábito social, a gralha-azul
é encontrada em bandos que podem variar em número de indivíduos,
em média com 4 a 15. Com grande hierarquia e formação
de clãs, os bandos são compostos pelos pais e filhotes de
até duas gerações. |
| Por intermédio de sua complexa
organização social, as Gralhas realizam as suas atividades
em grupo, como a busca de alimento, limpeza da plumagem e reprodução.
No período reprodutivo, tanto os adultos como os indivíduos
jovens auxiliam na construção do ninho, na alimentação
dos filhotes e na defesa do território contra predadores. |
| O período reprodutivo da gralha-azul
tem início no mês de outubro, estendendo-se até março.
Seu ninho, muito bem escondido, é confeccionado no alto de árvores
de grande porte. Em Floresta com Araucária é construído
na coroa apical de pinheiros jovens. O ninho é arredondado e confeccionado
em forma de bacia, com 50 cm de diâmetro formado de gravetos. Em média
são colocados 4 ovos. |
| Apesar de facilmente encontrada em sua
área de ocorrência, a gralha-azul leva hoje o status de vulnerável,
principalmente devido à destruição de seu hábitat
natural. |
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| Roberto
Bóçon - Biólogo. |