Observações ecológicas em cavernas da Região Metropolitana de Curitiba: análise do sistema cárstico
Participação do Mater Natura no Projeto: Instituição proponente e executora.
Financiador(es): Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) / Ministério do Meio Ambiente (MMA); Fundação Francisco; Fundação O Boticário de Proteção à Natureza (FBPN).
Equipe Executora:
  Coordenação Técnica
Adalberto Koiti Miura.
  Técnicos Responsáveis
Augusto Cesar Svolenski; Daniele Drago; Darci Paulo Zakrzewski; Elenise Angelotti Bastos Sipinski; Gilberto Tiepolo; Karina Luiza de Oliveira; Luís Fernando Silva da Rocha; Luiz Flávio Garcia de Lima.
  Consultores
Angelo E. Sirtoli; Gerdt Hatschbach; Paulo Cesar Tosin; Ricardo Pinto da Rocha; Roberto Bóçon.
  Colaboradores
Adelenyr A. de Moura Cordeiro; Antônio Prescovit; Cláudio Genthner; Edmundo Talamini Neto; Emílio Toshiro Osato; Iracema A. Suassuna de Oliveira; Lilian Chaves; Luís Henrique Sereneto; Moacyr Serafim Jr.; Paulo Aparecido Pizzi; Osvaldo Oyakama.
  Parceiros
Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná - GEEP-Açungui; UFPR - Departamento de Solos - Laboratório de Solos.
INTRODUÇÃO
   Grande parte do patrimônio espeleológico paranaense já se encontra destruído, sendo as principais causas desta degradação a exploração mineral sem controle, o turismo desordenado, a expansão urbana e a poluição hídrica (SESSEGOLO et al., 1996). Estima-se que no mínimo 50% do patrimônio espeleológico da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) já se encontra destruída, sem jamais ter sido estudada (GEEP-AÇUNGUI, 1995, 1997). Buscando resgatar o conhecimento científico e ambiental de algumas cavidades ainda existentes na RMC realizou-se o projeto "Observações ecológicas em cavernas da Região Metropolitana de Curitiba: análise do sistema cárstico", pelo MATER NATURA - Instituto de Estudos Ambientais, em parceria com o GEEP-Açungui (Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná). Este projeto foi idealizado para resgatar o conhecimento científico e ambiental de algumas cavidades ainda existentes na RMC.
OBJETIVOS
   Analisar o ambiente cavernícola, utilizando-se para tal o conceito "sistema cárstico" e suas feições geomorfológicas. Para tanto, reuniu-se uma equipe multidisciplinar que realizou pesquisas com os seguintes objetivos:
•  Levantar as espécies de fauna encontradas neste ecossistema;
•  Descrever a flora encontrada na região de entrada das cavidades;
•  Identificar as espécies de morcegos que utilizam as cavernas componentes dos sistemas cársticos analisados;
•  Caracterizar o ambiente externo dos sistemas cársticos;
•  Obter dados espeleométricos sobre as cavidades pesquisadas e elaborar mapas topográficos destas, com indicação das feições e formas, condutos, salões e espeleotemas;
•  Verificar a influência antrópica sobre estes ecossistemas.
   Desta forma, foi possível constatar a importância de se conhecer os diversos aspectos referentes aos sistemas, para embasar a análise de impactos antrópicos e para a adoção de futuras medidas de preservação e manejo de áreas cársticas.
ÁREA DE ESTUDO
   Situa-se na RMC, ao noroeste do município de Curitiba, onde são encontradas áreas ricas em rochas carbonáticas, pertencentes ao Grupo Setuva e ao Grupo Açungui, que cortam os seguintes municípios: Almirante Tamandaré, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo e Rio Branco do Sul.
   MAACK (1950), em seu "Mapa Fitogeográfico do Estado do Paraná", referia-se à área, onde está localizada a RMC, como "matas secundárias predominantes nas zonas de araucárias" e "zonas de culturas efetivas". Esta região está situada no Primeiro Planalto paranaense, caracterizada pelos terrenos ondulados, cujas altitudes variam entre 800 a 1.200 m s.n.m., estando sob domínio da Floresta Ombrófila Mista, com presença de manchas de Estepe Gramíneo-lenhosa (MATER NATURA, 1997).
   Para o presente estudo foram selecionadas quatro áreas (sistemas cársticos).
1. Área de Bromado
Situada no Município de Rio Branco do Sul. Compreende 3 km² de área física, englobando a gruta de Bromado I (25º 4'33''S e 49º 22'48''W), gruta de Bromado II, gruta da Caveira além de outras 11 cavidades associadas.
2. Área de Sumidouro
Situada no Município de Campo Magro. Compreende uma área física de aproximadamente 3 km², onde existem 13 cavidades, destacando-se a gruta do Sumidouro, com 238,8 m de desenvolvimento. (25º 11'28''S e 49º 31'34''W).
3. Área de Cachimba
Situada no Município de Rio Branco do Sul, compreende uma área de cerca de 1 km², onde existem 21 cavidades conhecidas, com inúmeras feições cársticas associadas. Destacam-se: gruta de Pilãozinho, gruta de Cachimba (25º 09'11''S e 49º 19'16''W), gruta de Primeiro de Abril e gruta de Chocolate.
4. Área de Pinheirinho
Situada no Município de Campo Largo, compreende uma área aproximada de 3 km². Engloba as grutas de Pinheirinho I (25º 00'16''S e 49º 38'07''W), Pinheirinho II, Contemplação, além de outras nove cavidades associadas.
CONCLUSÃO GERAL
   A análise de sistemas cársticos é uma metodologia viável e possível, pois o uso de levantamentos em sistemas fornecem um instrumento conceitual para a análise dos processos cársticos, tendo-se duas referências em termos de escala, uma descendente (província, distrito e sistema) e outra ascendente a partir da caverna, onde podem ser executados estudos específicos condicionados por influências englobantes e ocorrentes na regionalização. Este tipo de estudo facilita o diagnóstico ambiental das cavernas e de sua área de entorno, possibilitando a análise de conjunto aos invés de parâmetros individualizados.
   Observou-se que os remanescentes florestais estão, em sua maioria relacionados às cavidades dos sistemas cársticos. Este fato, deve-se à dificuldade de ocupação desse ambiente pelos moradores locais, em função de seu relevo acidentado, da grande quantidade de afloramentos rochosos e da pequena camada de solo.
   O histórico da degradação ambiental experimentado por estes sistemas cársticos foi responsável pela modificação do estado de naturalidade da paisagem original, substituindo-a por fisionomias agrosilvipastoris. Como conseqüência a flora e a fauna originais foram reduzidas a poucos representantes, fato sentido principalmente no conjunto da mamíferos, aves e da vegetação arbórea. Estas mudanças também afetaram o ambiente interno das cavernas, alterando o regime de infiltração de água, causando assoreamento de alguns rios internos, danificando hábitats.
  Após uma análise integrada, constatou-se que os sistemas merecedores de uma atenção especial são Pinheirinho e Cachimba, por apresentarem as seguintes características:
•  Maior área com cobertura vegetal associada à cavidade (Cachimba);
•  Utilização, por parte de mamíferos não-voadores, das cavidades como abrigo e/ou refúgio (Cachimba e Pinheirinho);
•  Grande quantidade de cavidades como abrigo potencial para morcegos (Cachimba);
•  Presença de espécies animais exclusivas de ambientes cavernícolas (Pinheirinho);
•  Presença de espeleotemas raros (no Paraná, observados apenas em Pinheirinho);
•  Áreas com potencial de licenciamento para exploração mineral, em função da grande pressão de mineradoras (Cachimba e Pinheirinho).
Bibliografia citada
GEEP-AÇUNGUI - GRUPO DE ESTUDOS ESPELEOLÓGICOS DO PARANÁ, 1995. Diagnóstico da degradação ambiental de cavidades naturais subterrâneas da Região Metropolitana de Curitiba/PR. (Relatório interno, não publicado).
GEEP-AÇUNGUI - GRUPO DE ESTUDOS ESPELEOLÓGICOS DO PARANÁ, 1997. Diagnóstico da degradação ambiental de cavidades naturais subterrâneas da Região Metropolitana de Curitiba/PR. Relatório Técnico complementar. (Relatório interno, não publicado).
MAACK, R. 1950. Mapa Fitogeográfico do Estado do Paraná. Curitiba, IBPT.
MATER NATURA - INSTITUTO DE ESTUDOS AMBIENTAIS, 1997. Observações Ecológicas em Cavernas da Região Metropolitana de Curitiba: Análise do Sistema Cárstico. Curitiba. (Relatório interno, não publicado).
SESSEGOLO, G.C.; ZAKRZEWSKI, D.P.; THEULEN, V.; SILVA-DA-ROCHA, L.F. 1996. A Degradação Ambiental de Cavernas na Região Metropolitana de Curitiba - PR. In: Cavernas do Paraná - Dez Anos de Espeleologia - GEEP-Açungui. Curitiba: GEEP-Açungui / UNILIVRE / FBPN p. 5-8.
 

Para maiores informações a respeito do projeto entre em contato com:
Coordenadora Técnica do Mater Natura - Karina Luiza de Oliveira
(e-mail: karina@maternatura.org.br).

 
Clique nas fotos p/ vê-las ampliadas.
 
 
Gnoiosoma sp. abandonando sua exúvia.
Foto: L. F. G de Lima
 
Indíviduo da espécie Chrotopterus auritus.
Foto: L. F. G de Lima
 
Medições climáticas nas cavidades naturais subterrâneas estudadas pelo projeto.
Foto: L. F. G de Lima
 
Galeria da Gruta da Cachimba, município de Rio Branco do Sul - PR.
Foto: L. F. S. da Rocha
 
Sifão na Gruta de Pinheirinho, município de Campo Largo - PR.
Foto: L. F. S. da Rocha
 
Coleópteros e Colêmbolos, associados a presença de fungos no interior da gruta.
Foto: L. F. G de Lima
 
   
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