Ecologia da Curucaca - Theristicus
caudatus - (Aves: Threskiornithidae) e a influência da
agricultura convencional sobre a fauna dos Campos Gerais do Paraná
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| Participação
do Mater Natura no Projeto: Instituição proponente
e executora. |
| Financiador(es): Fundação
o Boticário de Proteção à Natureza (FBPN);
Fundação MacArthur. |
Equipe Executora:
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Responsável Técnico
Alexandre Lorenzetto (MATER NATURA). |
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Técnicos Responsáveis
Bianca Reinert (MATER NATURA).
Lígia Maria Salvo.
Mauro Pichorim (UFPR). |
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Colaboradores
Adilson Brito, Alan Mocochisnki, Arthur Bispo, Carolina Muller,
Francisco Putinni, Imke Nabben, Marcos Bornschein, Josiane Forbeci,
Olívia Isfer e Ramoci Leuchtemberger. |
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Parceiros
Marumby Montanhismo; Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti;
Instituto Ambiental do Paraná - IAP. |
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| Descrição |
| A curucaca - Theristicus caudatus
- é uma ave típica de paisagens abertas de grande
parte da América do Sul (Sick 1997). Ocorre em zonas tropicais
desde a Guiana, Venezuela e Colômbia passando ao sul por virtualmente
todo o Brasil, Paraguai, leste da Bolívia e norte da Argentina
e Uruguai. |
| Apesar de sua ampla distribuição
e de ser uma espécie comum, poucos são os estudos a
respeito de sua ecologia e biologia básica. Uma revisão
geral e resumida sobre hábitat, alimentação,
reprodução e movimentos encontra-se em Matheu e del
Hoyo (1992) a qual refere-se principalmente a estudos realizados na
Argentina e Venezuela. No Brasil, os estudos ainda são mais
escassos. No estado do Paraná, o único estudo sobre
a espécie foi realizado por Scherer Neto (1982) na região
dos campos gerais onde são relatados alguns aspectos de reprodução. |
| Através dos estudos já
realizados sabe-se que a espécie utiliza como sítios
de alimentação campos naturais e áreas de cultivo
(Sick 1997, Belton 1994 e Scherer Neto 1982). É encontrada
em culturas de intensa utilização de agrotóxicos
como arrozais e plantações de soja (Belton 1994 e obs.
pess.). Nestes locais alimenta-se de artrópodos (insetos, aranhas,
centopéias, etc), anfíbios, répteis e eventualmente
pequenos mamíferos (Matheu e del Hoyo 1992). |
| A contaminação por
agrotóxicos no mundo começou a ser detectada a partir
do intensivo uso de pesticidas iniciado na década de 40. Sabe-se
que os pesticidas têm efeitos primários, quando atuam
contaminando diretamente a espécie levando muitos indivíduos
a morte imediata, e efeitos secundários, quando quebram a cadeia
alimentar impossibilitando a manutenção das populações
de aves de uma região (Moore 1985). Os mesmos têm contribuído
diretamente para a diminuição de populações
de muitas espécies de aves, inclusive colocando algumas em
risco de extinção (BirdLife International 2000). As
conseqüências da contaminação por pesticidas
em espécies silvestres já são conhecidas há
muito tempo, inclusive alguns autores consideram agentes químicos
como um novo e importante fator ecológico (Moore 1985). |
| Na família Threskiornithidae
já se conhece um exemplo drástico de contaminação
por pesticidas. A espécie Geronticus eremita, do norte
da África, teve parte de sua população reduzida
em 70% entre 1956 e 1959 devido a contaminação por agentes
químicos lançados contra gafanhotos (Matheu e del Hoyo
1992). O efeito deste envenenamento foi tão profundo e duradouro
que as aves sobreviventes não geraram filhotes até 1972
e a população que era de 530 casais em 1953, caiu para
23 em 1973. Hoje esta espécie possui o status de criticamente
ameaçada no mundo (BirdLife International 2000). |
| Embora a curucaca utilize como sítio
de alimentação áreas de agricultura, nenhum estudo
enfocou até o presente os níveis de agrotóxico
na espécie bem como os efeitos desta possível contaminação. |
| Este projeto visa estudar os impactos
dos pesticidas na região, sendo a curucaca a espécie
alvo para este tipo de investigação. Isto porque ela
é facilmente encontrada em grande número, alimenta-se
diretamente nas áreas de cultivo, nidifica em locais facilmente
encontrados e possui grande porte, possibilitando a retirada de amostras
sangüíneas suficientes para as análises. Sendo
assim, estas vantagens que existem para realizar este estudo na curucaca
possibilitarão o levantamento de dados inéditos que
nos fornecerão subsídios para avaliar e discutir os
níveis atuais de contaminação em toda a fauna
regional, além de descrever a biologia reprodutiva de T.
caudatus e descrever aspectos da dinâmica populacional,
morfometria, alimentação e comportamento. Em segundo
plano, os resultados do projeto contribuirão para a elaboração
de propostas de medidas de controle dos impactos que forem detectados. |
| Para tanto, estamos analisando populações
de Theristicus caudatus em regiões de alta e baixa
utilização de agrotóxicos para fins de comparação
dos níveis de contaminação e dos parâmetros
biológicos associados. A população do Parque
Estadual de Vila Velha (P.E.V.V.) e arredores no município
de Ponta Grossa-PR, será considerada como de área com
alta contaminação. Cabe ressaltar que dentro do P.E.V.V.
não ocorre a utilização de agrotóxicos,
mas as aves que nele residem utilizam como sítios de alimentação
as fazendas do entorno e por isso estão sujeitas da mesma forma
à contaminação. Serão consideradas como
áreas de baixa contaminação algumas fazendas
no município de Palmas-PR -locais com presença de um
grande número de curucacas-, devido à esta região
ser utilizada basicamente para o pastoreio de gado, e portanto, sem
o emprego maciço de agrotóxicos. |
| Fazendo análises sangüíneas
para comparar a contaminação por organoclorados e organofosforados
entre estas populações e comparando parâmetros
biológicos influenciados por contaminação entre
as áreas de baixa e intensa agricultura convencional (sucesso
reprodutivo, problemas congênitos em ovos e filhotes, diferenças
na espessura da casca dos ovos e taxas de sobrevivência), teremos
subsídios para elaborar propostas com medidas de controle dos
impactos que forem detectados. |
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| Bibliografia citada |
| Belton, W. 1994. Aves do Rio Grande do
Sul, distribuição e biologia. Universidade do Vale do
Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, Brasil. |
| BirdLife International 2000. Threatened birds of the
world. Barcelona and Cambridge, UK: Lynx Edicions and BirdLife International. |
| Matheu, E. e J. del Hoyo 1992. Family Threskiornithidae.
Pp. 472 - 506 in: del Hoyo, J., Elliott, A. e Sargatal, J. eds 1992.
Handbook of the birds of the world. Vol 1. Ostrich to Ducks. Lynx
Edicions, Barcelona. |
| Moore, N. W. 1985. Toxic chemicals. Pp. 604 - 606
in Campbell, B., & E. Lack (eds.). A dictionary of birds. Poyser,
Calton, UK. |
| Scherer-Neto, P. 1982. Aspectos bionômicos
e desenvolvimento de Theristicus caudatus (Boddaert 1783). Dusenia
13 (4): 145- 149. |
| Sick, H. 1997. Ornitologia brasileira. Nova Fronteira,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil. |
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| Para maiores informações sobre o projeto
entre em contato com o responsável técnico Alexandre
Lorenzetto. (e-mail: alexlorenzetto@uol.com.br)
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