Distribuição,
biologia e conservação do bicudinho-do-brejo (Stymphalornis
acutirostris): uma ave recentemente descoberta para a ciência
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| Participação
do Mater Natura no Projeto: Instituição executora,
sendo a Liga Ambiental a proponente junto ao FNMA. |
| Financiador(es): Fundo
Nacional do Meio Ambiente (FNMA) / Ministério do Meio Ambiente
(MMA); Fundação O Boticário de Proteção
à Natureza (FBPN); Fundação MacArthur; American
Bird Conservancy. |
Equipe executora:
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Coordenação Técnica
Bianca Luiza Reinert. |
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Técnicos Responsáveis
Bianca Luiza Reinert e Marcos Ricardo Bornschein. |
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Colaboradores
Dr. Sandro Menezes Silva; Marília Borgo; Paulo Aparecido
Pizzi; José Álvaro da Silva Carneiro; Ingo Isernhagen;
Shirlei Neundorf; Cilmar Ader; Zig Koch; Roberto Bóçon
e Tiarajú de Mesquita Fialho. |
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Parcerias
Departamento de Botânica e Escola de Florestas da UFPR
(Universidade Federal do Paraná). |
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Execução do Mapeamento
AEROSUL - Levantamentos Aeroespaciais e Consultorias S.A. e
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação
Ambiental (SPVS). |
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Técnicos envolvidos no
mapeamento
Franco Amato (cartografia); Maria Lúcia Sugamosto (cartografia);
Marcos Ricardo Bornschein (seleção de fotografias
e bases cartográficas, fotointerpretação
e vetorização). |
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Agradecimentos
Carlos Firkowski; Franklin Galvão; Miguel Â. Marini;
Miguel S. Milano; André M. P. Carvalhaes e Rodolfo J.
Angulo. |
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| Introdução |
| Não obstante
as aves serem o grupo de animais mais estudado do mundo, com cerca
de 99% das espécies conhecidas e catalogadas, em meados de
1995 descobriu-se uma ave ainda desconhecida pela ciência: o
bicudinho-do-brejo Stymphalornis acutirostris. O bicudinho-do-brejo
trata-se não somente de uma espécie nova, mas também
de um gênero novo de pássaro. Digno de nota é
o fato de que nos últimos 100 anos não se descobria
um gênero e espécie novos de ave no Brasil. |
| A espécie foi
descoberta no Balneário Ipacaray, localizado a aproximadamente
60 m da rodovia de acesso entre as praias de Matinhos e Praia de Leste,
no litoral do Paraná. |
| O bicudinho-do-brejo
é um pequeno representante da família dos papa-formigas
(Formicariidae), com cerca de 10 g de massa corporal e em média
14 cm de comprimento. Quando adulto apresenta dimorfismo sexual, sendo
o macho de coloração geral marrom no dorso e anegrada
no ventre e a fêmea distinguindo-se pelo ventre todo manchado
de branco e preto. |
| O nome científico
Stymphalornis acutirostris, foi retirado em parte da mitologia
grega, onde Héracles, em um dos seus 12 trabalhos, deveria
eliminar as estinfálides, grandes e temíveis aves revestidas
de bronze que habitavam o pântano impenetrável de Estínfalon,
na Arcádia. Em alusão à forma longa e afilada
de seu bico, utilizou-se do latim o nome "acutirostris". |
| Por ser uma espécie
que vive em ambientes restritos, os quais comumente sofrem ações
antropogênicas, a espécie foi reconhecida como ameaçada
de extinção pelo IBAMA e recentemente foi incluída
no "Threatened Birds of the World" (BIRDLIFE INTERNATIONAL,
2000). |
| Objetivos |
| A pesquisa desenvolvida
por este projeto objetivou, em linhas gerais, desenvolver estudos
técnicos e científicos visando a apropriação
de conhecimentos sobre a espécie, com vistas a subsidiar planos
e ações que possibilitem a conservação
de sua área de ocorrência e conseqüentemente de
sua população. |
| Os objetivos específicos
foram: conhecer a distribuição geográfica da
espécie; caracterizar floristicamente seu ambiente de ocorrência,
quantificar a área de ocupação e a população
da espécie no estado do Paraná; quantificar a extensão
de ocorrência global da espécie; produzir um mapa esquemático
com a distribuição geográfica global da espécie;
produzir mapas representativos das formações vegetacionais
habitadas pela espécie, limitando à área de sua
ocorrência e reavaliar o seu status de conservação. |
| Área de estudo |
| A área de estudo
compreendeu diversos ambientes, desde formações pioneiras
herbáceas até florestas limítrofes, de toda a
faixa costeira do norte de Santa Catarina até o sul de São
Paulo. |
| Considerações Gerais |
| A espécie foi
procurada utilizando-se gravações de suas vocalizações,
para estimular respostas. Os locais amostrados foram georreferenciados
e a vegetação foi caracterizada adaptando-se os métodos
usuais para estudo de vegetação herbácea, arbustiva
e arbórea. As estimativas populacionais foram feitas com o
método de captura, marcação e contagem em locais
com áreas conhecidas. |
| Foram produzidos um
mapa síntese, na escala 1:250.000, localizando as populações
do bicudinho-do-brejo e fotocartas, na escala 1:20.000, detalhando
a distribuição dos ambientes para algumas das populações
da espécie. |
| A espécie tem
como limite norte de ocorrência a região da baía
de Antonina, no Paraná, e como limite sul o rio Itapocu, em
Santa Catarina. No entanto, nestes extremos não distribui-se
de foram contínua, mas em oito populações isoladas. |
| A espécie é
restrita às Formações Pioneiras de Influência
Fluviomarinhas, Fluviais e Lacustres, sendo o seu ambiente de ocorrência
constituído por vários tipos vegetacionais inundáveis,
predominantemente herbáceos, e áreas de transição
destes para formações arbóreas igualmente inundáveis,
como manguezais, caxetais (dominada pela caxeta - Tabebuia cassinoides)
e guanandizais (dominada pelo guanandi - Calophyllum brasiliense).
Estas áreas estão localizadas nos trechos inferiores
dos rios que deságuam nas baías, onde ocorre influência
de marés, e em locais mais interiorizados como planícies
aluviais inundadas, ou ainda em planícies quaternárias
mais costeiras, entre os cordões de deposição
de areia marinha. |
| De um modo geral, a
espécie é encontrada em nove ambientes distintos, sendo
cinco predominantemente herbáceos e quatros arbóreas
com herbáceas. Destes ambientes, em quatro o bicudinho-do-brejo
é comum, pois ali encontrou-se maior densidade populacional
que nos outros cinco ambientes, onde a espécie é rara. |
| A estimativa da área
de ocupação da espécie no Paraná, somou
aproximadamente 4.860 ha e a estimativa populacional apontou pouco
mais de 17.000 indivíduos no estado. A extensão de ocorrência
global da espécie é cerca de 43.200 ha. |
| Com relação
ao seu status de conservação, conclui-se que
a espécie é realmente ameaçada de extinção.
Este status deve-se ao fato do ambiente de ocorrência
desta ave ser extremamente restrito e fragmentado, e por estar sofrendo
perda de área por ações de origem antrópica
e pela invasão de capins exóticos. |
| Bibliografia citada |
| BIRDLIFE INTERNATIONAL, 2000. |
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| Para maiores informações
a respeito do projeto entre em contato com:
Coordenadora Geral - Bianca Luiza Reinert
(e-mail: bianca@maternatura.org.br).
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